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A produção poética de Eugénio Tavares

Quarta-feira, 24.11.10

A sua obra poética conta com os títulos Fadinhos (1896), Mal de amor: Coroa de Espinhos (1916), ManijasAmor que salva - Santificação do Beijo (1916), Os Cossacos (1918) e Mornas cantigas crioulas (1932), publicada postumamente, por iniciativa de José Osório de Oliveira.

Cultor do verso em crioulo, Eugénio Tavares foi um dos primeiros a investir numa poética em crioulo e a defendê-lo como língua literária. Com as suas mornas, em crioulo, tornou-se um ídolo popular, destacando-se pela sua mestria em recriar a alma crioula.

Nos seus textos verifica-se:

-         a procura de processos da lírica amorosa portuguesa, sobressaindo a frescura e a delicadeza do sentimento romântico;

-         um profundo enraizamento no lirismo popular;

-         a marca intensa dos apelos sociais e políticos daquela época cabo-verdiana;

-         Em língua portuguesa, destacou-se como cultor do lirismo amoroso e do lirismo social;

-         A sua lírica está impregnada de mística e religiosidade.

Integrante da primeira geração de poetas cabo-verdianos, Eugénio Tavares e outros poetas da mesma geração seguem, na literatura, o rumo traçado por José Lopes da Silva que se empenhou na defesa da Civilização Luso-Africana. Lopes estabelece a rota literária e os outros poetas, Pedro Cardoso, Eugénio Tavares e Januário Leite seguem o rumo traçado por ele. Pois, a poética de Lopes é aquela premiada pelas grandes Civilizações Europeias, inclusivamente a da França como sempre universalista e defensora da universalidade do Homem. Tavares segue Lopes, usando o modelo clássico dos seus sonetos. Todavia, acaba por se afastar da rota traçada por aquele, só navegando a vaga clássica. É ele que escreve, quase pela primeira vez, a lírica crioula, que aparece em forma de música no seu livro, Mornas cantigas crioulas (1932). Aqui vai começar a lírica, estabelecendo o grande paradoxo: querer ficar/querer partir donde a nossa literatura se inspira. Abre-se aqui o universo lírico de toda a nossa poética: a psíquica cabo-verdiana, a intelectualização da nossa escrita, a saudade… a nostalgia… o amor… a dor, a traição, as nossas montanhas, o nosso mar, as nossas estrelas tão nossas… as noites românticas, o veleiro encalhado à calma… o escuro de breu dos nossos vales, os naufrágios… a despedida no cais… o regresso dos pescadores de baleia, a sátira dum coração atraiçoado… duma hora maculada… enfim; a verdadeira alma cabo-verdiana fica poeticamente posterizada nas líricas crioulas tavareseanas… para além da estética musical que fica estabelecida nas mornas, o estado da alma crioula, humana e sofredora, revelada na simplicidade dos seus versos.

 

Inserimos aqui uma das mornas que não foi incluída na colecção Mornas cantigas crioulas que sobressai pelo mimo e frescura. A outra composição é um soneto, género que magistralmente cultivou.

 

Djam-crêbo

Já m’cre-bo ma m’ca ta flá-bo

M’ta gardâ dentro de mim,

M’ta ‘ngachâ ês segredo

Co medo bu ca flá-m’ sim.

 

Ma m’crê odjá-bô calado,

Guardá-bo na pensamento,

De que contá-bo ês nha amor,

Pa depôs bu dá-m’ tromento.

 

“Não” é ca sabe de obi,

É pior que maior dor;

Por isso bu ca’l conchê,

Bu ca’l conchê ês nha amor.

 

Triste, dixá-m’ fica triste

Simcerteza amá sim gosto,

Antes triste de incerteza,

Do que triste de disgôsto.

                        

 

                            Eugénio Tavares

Emigração

Como é triste e desolador,

Ver partir, aos magotes, esta gente,

Entregue ao seu destino, indiferente

A tanto sofrimento, tanta dor!

 

Se a sorte ainda a traz à terra amiga,

Macilenta, tristonha, depaup’rada,

Com a doença do sono, já minada,

Ao cemitério um só coval mendiga!

 

Mas porque ides, assim arrebanhada,

A essa maldita terra do desterro?

É a fome que vos leva acorrentada?

 

Aproveitai melhor a mocidade

E ide mais distante, ide à América

A terra do trabalho e liberdade!

                                     Eugénio Tavares

 

 

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por Mateus Monteiro às 21:07


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