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JOSÉ LOPES DA SILVA FALA DE (EU)GÉNIO TAVARES

Sábado, 20.11.10

HOMENAGEM AO JORNALISTA E POETA 

 

Melhores palavras não há que as do Poeta José Lopes para homenagear a personalidade do mês que é Eugénio Tavares. Não por nos faltar a aptidão, mas porque se trata de um vate da literatura cabo-verdiana glorificando seu contemporâneo, outro vate tão grande quanto aquele que o homenageia.

 

(Eu)Génio Tavares

Há nomes que são uns símbolos.

Tal o de Eugénio Tavares.

Lembra-lo, proferi-lo ou escrevê-lo é concretizar a ideia de tudo quanto há e pode haver de mais elevado na alma colectiva da grande família cabo-verdiana; é simbolizar, portanto, a mais fina essência intelectual de uma pátria, o que ela tem de indestrutível.

É pois um nome símbolo; e é também um nome expoente, que eleva a um grau eminente o pensamento cabo-verdiano.

Sintetiza e define a sua terra.

Parece que o ministério das cousas (porque o há em tudo) andou a conspirar no seio arcano do destino para que ao encantador orfãozinho da Badinha lhe pusessem Eugénio.

Há predestinações. Houve aí uma.

O nome define o homem. O homem justifica o nome.

Esse simpático ser bem formado, essa admirabilíssima organização proteiforme de intelectualidade em que predomina o poeta, vinha ser o continuador de Augusto Barreto, do Dantas e de Luís Medina.

Assim, pois, tiveram porventura uma inspiração do Desconhecido os que lhe puseram Eugénio.

Há influxos que o espírito humano, ainda sobre a Terra, não penetra: - porque ninguém sabe da essência do que existe.

Nas mais antigas doutrinas esotéricas foi de um sem número de misteriosas coincidências que nasceram os horóscopos. Eugénio – foi o horóscopo de si mesmo.

Ainda no berço o futuro grande poeta cabo-verdiano, quando só Deus ainda o sabia, quando ainda se não tinha revelado nem podia revelar-se, já assim se chamava.

E que de exemplos e lições na sua vida!...

Estava escrito que o selo da orfandade o devia consagrar quando ainda envolto nas faixas infantis. Não há consagração sem martírio.

A criança-prodígio que Barreto não viu, que Dantas idolatrou e que Luis Medina apresentou no Templo das Musas pressentindo-lhe, como Chateaubriand a Vitor Hugo, o que traduz a segunda parte do seu nome, essa lirial e encantadora criança estava predestinada a encher, a saciar de luz, - a luz fulgurante dum dia eterno -, a nossa querida Terra Cabo-verdiana, elevando-a nas asas resplandecentes da poesia a um grau eminentíssimo do honrosa fama.

Sá não sentiu ungir-lhe a fonte branca de neve um beijo materno de sacrossanto estímulo ao escrever os seu primeiros versos!...

Tinha de ser assim… Do contrário esses seus primeiros carmes não seriam uma pungente elegia chorada no regaço da sua mãe-segunda em memória da primeira.

A Dor santificou pois desde o berço o sublime poeta cabo-verdiano. O augusto nume do Sofrimento tem presidido sempre ao seu destino, mas para o consagrar; mas para o tornar sempre grande, muito grande, cada vez maior; mas para lhe depor na fronte inspirada a imarcescível laurea da imortalidade.

O Grande Poeta vive hoje no seu splendid isolement da risonha Brava, onde nasceu, a Brava que o idolatra e que Ele tanto ama; porque Ele é a Brava e a Brava é Ele; e a Brava porque é Ele, porque o encerra no relicário das suas formosas filhas e das suas flores, incomparáveis de matriz e fragrância, resume em si Cabo Verde.

Hoje como seus compatriotas vimos render ao grande Poeta uma justa e devida homenagem. À sua coroa de louros quero prender uma palma; quero ligar o meu lemnisco triunfal à sua vida toda de luz.

Deixemos depois o grande poeta no seu remanso, no seu sonho, no seu afastamento do mundo que o não poderá sempre compreender. As estrelas não foram feitas para serem observadas de perto pelos homens.

Algum dia a admiração piedosa dos vindouros erguer-lhe-á monumentos, sobreporá a sua estátua ao pedestal que Ele próprio erigiu exaltando a sua terra. Esta glória não nos pertence: está reservada aos nossos descendentes. Viverão em mais luz. Verão mais que nós.

Vós todos que me ledes, vinde comigo junto dele trazer-lhe amor e flores.

Ele é uma autêntica, legítima glória da nossa terra.

Deus vos diz:

Onorate l’altissimo poeta”

 

Janeiro de 1931

José Lopes

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por Mateus Monteiro às 20:52


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