Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Novembro 2010

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930


Pesquisar

 


ESCRITOR DO MÊS

Quarta-feira, 17.11.10

Enquadrado na nossa estratégia de divulgação de escritores, o Projecto "Escritor do Mês" (dos professores de português da Escola Secundária Dr. Baltazar Lopes da Silva) elegeu para Outubro o escritor, poeta e jornalista Eugénio Tavares cujo dia do seu nascimento é também o dia nacional da cultura cabo-vediana.

 

Notas biográficas

                      Eugénio Tavares

 

Eugénio (de Paula) Tavares nasceu no dia 18 de Outubro de 1867 na Ilha Brava do Arquipélago de Cabo Verde, onde faleceu em 1 de Junho de 1930.

Foram seus pais, Francisco de Paula Tavares, natural de Santarém (Portugal) e Eugénia Rodrigues Nozoliny, natural da Ilha do Fogo, de ascendência espanhola.

Do Boletim Oficial n.º 31., de 29 de Julho de 1876 consta que Eugénio “foi examinado nas disciplinas de leitura corrente, escrita (bastardo e cursivo) subtracção, multiplicação e divisão em números inteiros, gramática recitada e doutrina cristã, tendo obtido a classificação de 20 valores”.

Com a idade de 15 anos e “possuindo apenas o a, b, c da instrução primária” ele fez a sua estreia literária no almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, apresentado pelo poeta Patrício Luiz Medina Vasconcelos, que enalteceu o seu talento, embora ressalvando que o mesmo “não medra como deverá, no acanhado ambiente do viver, poético sim, porém demasiado aldeão, da Ilha Brava.

Não há dúvida, porém, que essa estreia já revelava decidida vocação para as Letras e apreciáveis conhecimentos da língua e da metrificação, como reconheceu o apresentador, para quem essa amostra representava “uma eloquente promessa”, apesar das falhas que apontou, embora reconhecendo que “a ideia é bem conduzida”.

Não consta que Eugénio Tavares tenha sido submetido a exames do ensino laico ministrado no então Seminário-Liceu de S. Nicolau, mas sabe-se que, concluída a instrução primária, ele estudou com o Padre António de Sena Barcelos, António Almeida Leite e Rodrigues Aleixo.

Por outro lado, era grande o interesse pela cultura e havia, em quase todas as ilhas, gabinetes de leitura frequentados com interesse pelos sócios respectivos.

Eugénio fez-se autodidacta, em grande parte graças à biblioteca existente na casa onde se criou desde os primeiros dias da sua infância, visto que a mãe morreu de parto, sendo tratado como filho querido tanto pela madrinha, Eugénia Medina Vera-Cruz, como pelo marido desta, Dr. José Martins Vera-Cruz, médico.

O pai ausentou-se para Guiné, onde faleceu 3 ou 4 anos depois.

Quando se aproximava dos vinte anos (1885?) Eugénio conseguiu emprego numa casa comercial do Mindelo (S. Vicente) cujo proprietário exercia funções de agente consular dos Estados Unidos da América, circunstância que proporcionou o seu contacto com americanos de passagem por S. Vicente.

O Porto Grande nessa altura era visitado anualmente por cem mil passageiros em trânsito para o Brasil, Argentina, África do Sul, Ásia e Europa, pelo que a cidade do Mindelo, já se tinha transformado no maior centro populacional de Cabo Verde, com maiores possibilidades de desenvolvimento, sob todos os aspectos - económico, social e cultural.

Na REVISTA DE CABO VERDE (1899) Eugénio viria a recordar o espectáculo a que assistia diariamente, quando as ruas de Mindelo se enchiam de estrangeiros.

Diz ele: “é um espectáculo verdadeiramente original duma população flutuante que os grandes transatlânticos despejam ali, e que, desembarcando de manhã e partindo á noite, fazem daquilo uma extraordinária feira cosmopolita, um acampamento de multidões que passam para a América do Sul e que regressam á Europa e Ásia; ruas atulhadas de gente que fala em todas as línguas, espécimes de todas as raças, exibição de todos os vestuários, de todos os costumes, de todos os tipos, desde o salero das filhas de Espanha ás figuras sentimentais das misses tísicas; desde o rabicho do chinês até o punhal do corso”.

De um iate americano desembarcou certa vez uma jovem por quem Eugénio se apaixonou à primeira vista e a quem o soneto Kate (nome da moça) no qual diz:

 “Foi pálida visão ante a qual um momento

Minh’ alma se ajoelhou, tremente e subjugada;

Foi róseo turbilhão, foi nuvem perfumada

Que agrilhoou sem do meu vário pensamento.

Depois a bruma além, esconde a minha amada

E o triste olhar cravei no plúmbeo Firmamento”.

 Eugénio era “um lindo moço, formoso de rosto e de mais formosa cabeleira, de tez branca, não rosada mas um tanto pálida, fronte ampla e majestosa, olhos negros de luz vivíssima e ao mesmo tempo suave, o nariz perfeito, finos os lábios de fina comissura, alvas as finas mãos, o cabelo retintamente preto, ondeante, farto e sedoso, doce o sorriso e esbelto o porte” (José Lopes).

Mas o pai da moça, aparentemente condescendente, acabou por levantar ferro e zarpar do porto pela calada da noite, enquanto a filha dormia, pois esta pedira ao pai autorização para se casar com Eugénio, que iria com eles para América.

A surpresa de Eugénio não foi por certo muito grande, já que a sua situação de modesto empregado de escritório não lhe permitia encarar a hipótese de convencer Kate a ficar com ele em Cabo Verde, sem o consentimento do pai.

De qualquer maneira, Eugénio passou a pensar na possibilidade de melhorar as suas condições de vida, vindo a conseguir o lugar de recebedor no Tarrafal (Santiago) onde trabalhou até ser nomeado recebedor do concelho da Brava, em 1890.

De regresso à sua terra natal, casou-se com Guiomar Leça Tavares, de quem não teve filhos.

Cerca de dez anos depois, é injustamente acusado de alcance, pelo que teve de fugir para a América do Norte, para não ser preso. Em seu entender, não fugiu mas sim retirou-se. Porque – diz ele – “fugir é cobardia; retirar pode ser, ainda, um ponto de táctica.

Chegado à América, em 11 de Julho de 1900, fixou-se na cidade de New Bedford, onde, viviam milhares de cabo-verdianos, e pensou na possibilidade de editar um jornal, como forma de subsistência, já que não tinha nenhuma experiência que pudesse facilitar-lhe o ingresso em qualquer das profissões acessíveis a imigrantes.

O primeiro número desse jornal, a que deu o título de ALVORADA, insere um artigo intitulado Autonomia, no qual faz algumas considerações sobre a situação política em Cabo Verde e na África, terminando por glosar uma frase célebre de um revolucionário americano – “África para os africanos!”

No final do século XIX, quando já se reflectiam em Cabo Verde os efeitos da propaganda de ideias republicanas em Portugal, Eugénio fez-se republicano e, numa das suas viagens à América, entro para a maçonaria.

Quando da implantação da República, ele encontrava-se de novo na Brava, e fez questão de ir a Praia assistir à chegada do primeiro governador nomeado depois do 5 de Outubro de 1910.

Nessa altura começou a fermentar a ideia de se publicar na Praia um jornal, de que ele viria a ser o principal colaborador, a convite do editor, Abílio Monteiro de Macedo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Mateus Monteiro às 18:37


Comentários recentes

  • Trêza

    Olá!Este post está em destaque na homepage do SAPO...

  • MFonseca

    Gostei da sua historia, mas nao e tudo que foi esc...

  • Trêza

    Este blog está em destaque na homepage do SAPO Cab...

  • Edson Santos

    Caro Professor queria antes de mais felicitar pelo...

  • Trêza

    * petrolífera...