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Como a Internet mudou o nosso dia-a-dia, a nossa forma de trabalhar e de estar na sociedade

Quinta-feira, 14.02.13

Esse “conglomerado de redes de comunicações em escala mundial – a Internet - com milhões de computadores interligados pelo protocolo de comunicação TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados” mudou definitivamente a vida do homem na sociedade e no trabalho. Ela disponibiliza aos usuários uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos/arquivos interligados e compartilhados por meio de hiperligações da World Wide Web (Rede de Alcance Mundial) e recursos para suportar correio electrónico e serviços como comunicação instantânea através do skype, Chats...

São os benefícios que a Internet proporcionam ao homem que determinaram que em junho de 2010, de acordo com a Internet World Stats, 1,96 bilhões de pessoas tivessem acesso à Internet, o que representa 28,7% da população mundial.

A nossa forma de trabalhar e de estar em sociedade, presentemente, conhece um antes e um depois da Internet. Com ela, a facilidade com que as pessoas acedem às coisas, bens e servições são de uma rapidez e comodidade impressionantes. Antigamente, sentiam-se reféns das horas de expediente, dos dias úteis para se poderem beneficiar de serviços e realizar tarefas que exigiam horas e dias marcados. Tinham que enfrentar filas intermináveis para tratar de qualquer assunto que hoje se resolve através de um PC, um iPDA ou um smartphone conectado à Internet.

A Internet tornou-se, durante as últimas décadas, uma ferramenta vital para a comunicação, comércio, entretenimento e trabalho, com a sua disseminação entre as massas.

A Internet, enquanto TIC, abriu muitas oportunidades que vão desde o ensino baseado no PC conectado à Internet, (uma realidade dentro do currículo escolar Inglês; a Universidade Aberta em e-learning…), à possibilidade de trabalhar, divulgar e vender a partir de casa.

Um exemplo concreto nos é dado também através de uma entrevista com o DJ Trux que fala sobre a sua actividade profissional enquanto DJ de discotecas e bares na Internet onde trabalha duas vezes por semana no Second Life, ou seja, na Internet. (http://www.myspace.com/djtrux)

A Internet revolucionou extraordinariamente a sociedade no domínio da informação, mas também quanto à forma como é utilizada por governos, empresas, indivíduos e setores sociais no mercado de trabalho.

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por Mateus Monteiro às 17:33

Documentário "Pro Dia Nascer Feliz"

Sexta-feira, 11.01.13

RESENHA

 “PRO DIA NASCER FELIZ”

Mateus Monteiro

“Cada escola um universo, Cada aluno uma constelação, Cada turma um desafio, Cada professor uma doação. Na escola do rico ou do pobre, O aluno tem emoção, Ele pensa no futuro melhor, Sonha com uma profissão. A sociedade se transforma, A escola não acompanha a ascensão, Pais, filhos, alunos e educadores, Só querem o sucesso da educação”. (Nadiane Spencer )

Pro Dia Nascer Feliz é um Documentário de 88min, dirigido e produzido por João Jardim, e foi lançado em 2006. Este trabalho mostra dados alarmantes sobre a realidade sócio-educativa no Brasil, proporcionando a todos uma grande oportunidade para refletirem sobre a educação e as escolas, pois retrata o dia-a-dia das salas de aula em que os principais actores são alunos e professores.

No início, o documentário refere factos como a evasão escolar, a variação da matrícula nas últimas décadas do século XX, condições de infra-estrutura das escolas, etc. Todavia o que chama atenção do espectador é que nestas últimas décadas parece que há uma constante: as escolas perdem quase metade de seus alunos, ora porque deixam de facto de frequentá-las, ora porque, mesmo ficando, aprendem muito menos do que é esperado.

Depara-se com diferentes situações em que adolescentes de 13 - 17 anos, ricos e pobres, enfrentam dentro da escola a precariedade, a violência, o preconceito...

O documentário dá voz a alunos de escolas: de Pernambuco, da periferia de São Paulo, do Rio de Janeiro e também de dois renomados colégios particulares (um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro). A realidade do povo do Nordeste é dura, mas mesmo assim há cultura no seio de famílias muito humildes. A menina pobre de Pernambuco, a Valéria, lê Drummond de Andrade, entre outros renomados autores; escreve textos e poesias incríveis que, inclusive, professores da sua escola não acreditam que ela é quem os escreve.

As várias faces do Brasil reveladas neste filme mostram um contraste incrível: a aluna de Pernambuco sonha em estudar e ser alguém, embora talvez não vá conseguir, enquanto que, numa escola para jovens da elite em São Paulo, uma menina está preocupada que não tem sido muito assediada pelos colegas, como no ano anterior. Ela mesma acaba culpando-se por estar “estudando demais”. As amiguinhas confirmam, depois que ela deixa cair algumas lágrimas.

Realidade muito chocante, também, nas escolas das periferias do Rio e de São Paulo. Muita violência (aluna chega a assassinar a própria colega e depois fala do assunto sem manifestar nenhum arrependimento. Pelo contrário, revela o prazer naquilo que ela fez). Professores desinteressados e absentistas que na avaliação acabam por atribuir notas até aos alunos que não aparecem. Alguns destes professores atribuem a culpa do próprio desinteresse aos alunos, que “não colaboram”.

Outra revelação é a de que jovens estudantes que “pancam” a aulas para assaltar, justificam, entre outras coisas, que pessoas famosas roubam milhões e não vão presas.

João Jardim conseguiu magistralmente abordar o problema da educação em todos os seus aspectos e oferecer um filme emocionante, realista e, sobretudo, bem realizado.

“Pro Dia Nascer Feliz”, um documentário maravilhoso, de muita sensibilidade, que precisa ser visto por todos.

Não percam!

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por Mateus Monteiro às 18:10

Teste II Português - Humanística

Domingo, 16.12.12

Lê atentamente o texto que se segue e responde com precisão e clareza às questões que te são colocadas.

 

De vós, senhor, quer'eu dizer verdade
e non ja sobr'o amor que vos hei:
senhor, ben moor é vossa torpidade
de quantas outras eno mundo sei;
assí de fea come de maldade
non vos vence hoje senón filha dun rei.
Eu non vos amo nen me perderei,
u vos non vir, por vós de soidade.

E se eu vosco na casa sevesse
e visse vós e a vossa color;
se eu o mundo en poder tevesse,
non vos faría de todos senhor
nen doutra cousa onde sabor houvesse.
E dũa ren seede sabedor:
que nunca foi filha d'emperador
que de beldade peor estevesse.

Todos vos dizen, senhor, con enveja,
que desamades eles e mí non.
Por Deus, vos rogo que esto non seja
nen façades cousa tan sen razón:
amade vós o que vos máis deseja,
e ben creede que eles todos son;
e se vos eu quero ben de coraçón,
leve-me Deus a terra u vos non veja.

 Pero Larouco (CBN 612; CV 214)  

1.      “De vós, senhor, quer'eu dizer verdade…” é perfeito contra-texto de uma cantiga de amor, retrato de alguém que, de superlativo, só tem defeitos.

1.1   Faz a classificação temática da cantiga, justificando adequadamente a mesma.

1.2.   Identifica o objecto da sátira e faz o retrato psicológico do mesmo.

 

2.      Sintetiza o assunto abordado, realçando os aspectos mais relevantes.

 

3.      Faz uma análise formal da cantiga.

 

4. Os servantês representam umas tantas atitudes do trovador perante a vida. Considerando as

variedades temáticas das cantigas de escárnio e de maldizer o texto da tua prova classifica-se como:

Servantês moral                                       Servantês pessoal

Sátira da soldadeira                                  Servantês político

Cruzada da Balteira                                   Tenção

4.1.   Justifica a tua escolha.

4.2.   Define servantês político e Tenção de maldizer.

 

5. Tal como a poesia lírica, a satírica do período trovadoresco tem um grande valor. Qual é o valor dessa poesia e para que serve?

 

6.      A morte do rei D. Denis foi a morte da poesia trovadoresca.

6.1.   Comenta a afirmação.

 

7.      Os reis, dada à necessidade, cada vez maior, de concentrar a vida e a discussão política, promoveram a corte a centro de cultura e da poesia.

7.1.   O que foi essa poesia?

7.2.   Quando e como surgiu?

7.3.   Fala do autor e da obra onde se encontra essa poesia reunida.

Bom Trabalho!

Prof. Mateus Monteiro

 

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por Mateus Monteiro às 16:20

Teste I 10º Ano - Vertente Lúdica da língua

Quinta-feira, 06.12.12

Lê atentamente o texto e responde ao questionário.

 

A Esperteza da Lebre

Havia uma lebre que achava que era mais esperta que todos os animais do mundo. Como desconfiava, porém, que a tchoca (galinha do mato) era mais esperta que ela e queria ter a certeza, resolveu convidá-la para irem a uma festa na casa da sua avó.

Para testar a sua esperteza, disse à tchoca haver, pelo caminho, coisas que ela não podia tocar nem comer. A tchoca concordou com isso. Enquanto caminhavam viram uma lagoa. Como estava com sede, a lebre disse à tchoca:

Olha, tenho de mergulhar na lagoa para ver se encontro o anel da minha mãe que caiu lá para o fundo quando eu e ela passámos aqui.

Está bem - disse a tchoca. Quando se atirou para a água, a lebre aproveitou para beber bastante até se fartar. Lá em cima, a tchoca também aproveitou para beber pois sabia que era impossível a lebre mergulhar sem engolir um pouco de água. De repente a lebre saiu da água e disse para a tchoca:

- Então, eu não te disse que nessa lagoa não se pode beber água?

-   Sim, disseste - confirmou a tchoca.

- Mas então porque é que tens o bico cheio de água? - retorquiu a lebre.

- E tu? Também tens a boca molhada ² disse-lhe a tchoca.

A lebre percebeu que era difícil enganar a sua companheira e lá continuaram a viagem. Assim que chegaram a uma floresta, a lebre pensou que ia conseguir enganar a tchoca. Mas, como havia muitos mosquitos na floresta, e estava a ser mordida ela disse à galinha:

- Bem, assim que chegar a casa vou pedir óleo de palma à minha mãe para espalhar pelo corpo.

Enquanto ia falando, a lebre ia batendo no corpo para explicar onde colocaria o óleo e assim ia matando os mosquitos. Então a tchoca respondeu:

- Vais me oferecer um pouco para eu pôr aqui, aqui e aqui.

Deste modo a tchoca aproveitava também para matar os mosquitos.

A lebre percebeu que afinal não era a mais inteligente de entre todos os animais e contou à tchoca qual era o seu plano, concluindo assim que não era a mais esperta.

Disponível em: http://omundomoraaqui.blogspot.com; acessado em 01-11-012

 

 

 

1.       Identifica e caracteriza psicologicamente as personagensdo texto.

2.       Contrariamente à maioria dos contos, em “A esperteza da Lebre” o protagonismo é dividido entre duas personagens.

2.1.    Concordas com a afirmação? Justifica.

3.       Classifica este conto, atendendo à variedade e tipologia temática. Justifica.

4.       Retira do texto os exemplos que nos permitem definir o tempo e o espaço.

5.       Tira conclusões quanto a essas duas categorias da narrativa, no conto popular.

6.       O texto apresenta várias marcas de oralidade.

6.1.    Retira do texto três exemplos dessas marcas.

7.       Tal como a maioria dos contos populares, este também encerra uma moral.

7.1.    Refere-a, fundamentando a tua posição.

8.       Que características estão presentes neste texto que nos permitem afirmar que se trata de um conto tradicional? (Considera também, para o efeito, a estrutura do conto, género do modo narrativo).

constituem a arquitectura do conto tradicional.

10.   Verdadeiro ou falso?

    • Da tradição oral fazem parte os provérbios, para além das adivinhas, das lendas, das cantigas (de trabalho) e dos contos tradicionais.
    • Os textos da tradição oral são transmitidos através da escrita.
    • Adivinhas, contos populares e provérbios têm sempre um autor que é identificado.
    • Uma das funções destes textos é o entretenimento, durante o convívio entre pessoas de diferentes gerações.
    • Trata-se de um repertório muito significativo para um povo, já que encerra e perpetua um conjunto de ensinamentos morais.
    • As crianças e os jovens só começam a contactar com este tipo de textos quando já sabem ler e escrever.

11. Comenta a seguinte afirmação:

“O conto popular enraíza-se na tradição, é a memória colectiva de um povo, perpectuada através da oralidade.”

12.   Selecciona, de entre as afirmações seguinte, as que constituem características do modo oral:

  • Frases geralmente mais longas.
  • Ordenação mais lógica da mensagem, com frases completas e articuladas.
  • Predomínio das frases simples e coordenadas.
  • Transmissão e recepção imediata da mensagem.
  • Locutor e destinatário estão num contexto idêntico.
  • Entoação, ritmo, acento de intensidade.
  • Uso de pontuação e de sinais gráficos auxiliares, mas que não podem reproduzir exactamente a entoação, o ritmo, o acento de intensidade do oral.
  • Uso mais frequente de subordinação.
  • Frases curtas.
  • Frases incompletas cortadas por suspensões e repetições.
  • Emprego de gestos e mímica.
  • Transmissão e recepção diferida da mensagem.
  • Maior necessidade de referência à situação em que ocorre a mensagem.
  • Descrição de gestos e mímicas.

Bom Trabalho!

Prof. Mateus Monteiro

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por Mateus Monteiro às 12:37

Teste I Comunicação & Expressão

Quinta-feira, 06.12.12

Grupo I

Lê atentamente todo o texto. Depois responde, com precisão e de forma directa, às questões apresentadas, documentando as afirmações que fizeres.

 

O ACTO DE COMUNICAR

Ainda hoje não é fácil explicar o aparecimento do homem no Mundo. A Bíblia, nos capítulos 1 e 2 do Génesis, afirma que todos os seres foram sucessivamente criados e que o homem foi formado a partir do pó da terra. Esta ideia levou a que muitos biólogos acreditassem que cada espécie de ser era única e que não havia evoluções nem mutações. Darwin[1], seguido por outros cientistas, mostrou que houve uma transição lenta para o ser humano, tal como o entendemos nos nossos dias.

A origem do acto de comunicar também carece de explicação, e ape­nas se pode imaginar relacionada com o surgimento do Universo. Se olharmos para os animais, que comunicam por sons e por gestos, e para várias plantas, que parecem indiciar atitudes de defesa ou de agrado, tal­vez consigamos imaginar a história da língua. Certamente, o homem, com a capacidade de raciocínio, desenvolveu essas manifestações comu­nicativas e associou-as a outras para exprimir factos e interpretar o mundo e os fenómenos que não tinham uma explicação imediata.

   

As necessidades criadas pela vida no meio de seres mais ferozes, a organização de famílias, a convivência, a identidade individual e na vida comunitária, bem como a inteligência social levaram o homem a tornar­-se um ser comunicante, capaz de pôr em comum informações, pensamentos, ideias e sentimentos. E embora a linguagem primitiva fosse, pro­vavelmente, constituída por simples gestos ou sons, sabe-se que, através dos tempos, o homem procurou enriquecer a sua comunicação suge­rindo novos significados e descobrindo novos vocábulos de acordo com as questões levantadas pela vida e pela sociedade em que se insere.

 

 1.      De que nos fala o texto “O acto de comunicar”?

1.1.   Indica alguns elementos que permitam imaginar a história da comunicação.

1.2.   Identifica as razões que levaram o homem a comunicar.

2.      Há no texto uma definição de comunicação.

2.1.   Escolhe a expressão que consideras mais apropriada.

3.      O homem e a comunicação evoluíram. A linguagem sofreu, obrigatoriamente, transformações.

3.1.   Explica essas modificações.

4.      A comunicação que se realizada através deste texto é:

4.1.     –   uma comunicação verbal

 

4.2.     –   uma comunicação não verbal

 

4.3.     –   um enunciado oral

 

4.4.     –   uma comunicação interlocutiva

 

4.5.     –   uma comunicação monolocutiva.

 

5.      São verdadeiras ou falsas as seguintes afirmações:

A língua   é o meio através do qual falamos, pensamos e escrevemos; tem um valor muito grande   na sociedade.

 
 Comunicação verbal é “Aquilo que se diz”: expressão de ideias, desejos, opiniões, crenças, valores, etc.  

Comunicamos através do silêncio, dos gestos, das posturas, das expressões faciais, do vestuário

 

5.1.   Justifica, à tua escolha, uma das afirmações.

6.      Estabelece a ligação entre o termo e o conceito:

Perturbação que afecta a transmissão do sinal.

 

Interlocutor

Entidade a quem   se dirige a enunciação e que nela toma parte.

 

Canal

Sistema de significados comum aos membros de uma   cultura ou subcultura.

 

Ruído

Meio físico pelo qual o sinal é transmitido.

 

Código

A   compreensão/captação da mensagem. O entendimento.

 

Descodificação

 

Grupo II

Texto 2

 

- Alô, quem fala?
  - Ninguém. Quem fala é você que está a perguntar quem fala.
  - Mas eu preciso saber com quem estou a falar.
  - E eu preciso saber antes a quem estou respondendo.
  - Assim não dá. Faz-me o obséquio de dizer quem fala?
  - Todo mundo fala, meu amigo, desde que não seja mudo.
  - Isso eu sei, não precisava de me dizer como novidade. Eu queria saber é   quem está no aparelho.
  - Ah, sim. No aparelho não está ninguém.
  - Como não está, se você está a responder-me?
  - Eu estou fora do aparelho. Dentro do aparelho não cabe ninguém.
  - Engraçadinho. Então, quem está fora do aparelho?
  - Agora melhorou. Estou eu, para servi-lo.
  - Não parece. Se fosse para me servir já teria dito quem está falando.
  - Bem, nós dois estamos falando. Eu de cá, você de lá. E um não conhece o   outro...

Diálogo de todo dia (Excerto adaptado), Carlos Drummond de Andrade

 1.        Na troca conversacional entre os dois interlocutores são realizados alguns actos de fala.

1.1.      Selecciona na lista que se segue, exemplificando com passagens do texto, aqueles que achares adequados:

  1.   Informar;
  2.   Opinar;
  3.   Perguntar;
  4.   Pedir;
  5.   Relatar;
  6.   Cumprimentar;
  7.   Comentar;
  8.   Lamentar.
     
       

1.2.     Como se define um acto de fala?

2.       Sabendo que toda a troca conversacional tem um objectivo último a atingir, identifica a intenção comunicativa do sujeito que fez a ligação telefónica.

3.       Analisa as falas dos interlocutores tendo em conta as regras de interacção ou os princípios que guiam a interacção discursiva.

4.      Considera as falas seguintes e comenta a afirmação em 4.1:

(A) - Assim não dá. Faz-me o obséquio de dizer quem fala?

(B) - Todo mundo fala, meu amigo, desde que não seja mudo.

4.1.    “Tenta interpretar as enunciações de acordo com o que o enunciador quis dizer.”

5.       Actos directos e actos indirectos são uma outra distinção que se faz no interior da teoria dos actos de fala.

5.1.     Classifica neste sentido, justificando, os enunciados que se seguem:

(A)   Alô, quem fala?

(B)   Faz-me o obséquio de dizer quem fala?

6.      Assinala (P) para os pressupostos e (S) para os subentendidos da passagem abaixo. Em seguida, sublinha/enfatiza a parte do texto que autoriza a implicatura.

Os meus vizinhos enriqueceram vendendo carros usados.

(      )   Os vizinhos não eram ricos.

(      )   Comercializar carros é um bom negócio.

(      )   O falante tem vizinhos.

(      ) Carros usados são mais baratos que os   novos.

 

 

Bom Trabalho!

Prof. Mateus Monteiro


[1] Charles Darwin (1809-1882) foi um cientista que estudou a origem e a evolução das espécies.

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por Mateus Monteiro às 11:57

A Ilha Fantástica: DO ORAL AO ESCRITO - re-interpretação ou transposição?

Quinta-feira, 08.12.11

A escrita de Germano Almeida e mais precisamente a da sua obra A
Ilha Fantástica
é, provavelmente, um dos casos mais curiosos da
literatura cabo-verdiana. Assim, como os escritores anteriores (da renascença)
dessa literatura cujo expoente máximo é Baltazar Lopes, o autor soube
privilegiar o pragmatismo da expressão e não fez depender o literário do
perfeccionismo linguístico.

Segundo Aguiar e Silva (1997: 625) “o texto é sempre, sob modalidades
várias, um intercâmbio discursivo, uma tessitura polifónica na qual confluem,
se entrecruzam, se metamorfoseiam, se corroboram ou se contestam outros textos,
outras vozes e outras consciências.” Segundo esta teoria, A Ilha Fantástica poderá ser considerado um texto literário
resultante, preferencialmente, de um intercâmbio, entre a escrita e a oralidade[1].
O oral aparece como um intertexto[2] da escrita.

A recuperação ou reintegração do intertexto oral na escrita
literária não é uma prática exclusiva do escritor Germano Almeida e dos
escritores cabo-verdianos em particular, mas uma prática nas literaturas
africanas de um modo geral. Os estudiosos dessas literaturas têm sempre
procurado formas de equacionar esta relação oral/escrito.

Mafalda Leite (1998) apresenta duas ideias que se tem acerca
do assunto: a ideia de continuidade assente no princípio de que o
escritor africano usa o conto porque este é o género que permite estabelecer a
continuidade com as tradições orais. Ou através da exploração dos ritmos e dos
temas, usando a língua como elemento potencial da captação estilística e vendo
neste trabalho uma espécie de natural mimetização ou reprodução da oralidade; a
segunda é a ideia de transformação em que a língua é apontada como o primeiro
nível de manipulação e os géneros aparecem como nível superestrutural.

Entre conceitos de oralidade fingida de Alioune Tine,
re-interpretação e transposição de Abiola Irene, Leite (Op. cit.) considera que
os dois últimos termos prestam melhor ao processo de recriação que a literatura
pressupõe, porque uma das mais importantes propriedades da literatura e do
texto literário é a ficcionalidade, definida como um conjunto de regras
pragmáticas que regulam as relações entre o mundo instituído pelo texto e o
mundo empírico. O texto literário constrói um mundo fictício através do qual
modeliza o mundo empírico, representando-o e instituindo uma referencialidade
mediatiza.

O privilégio que é dado ao pragmatismo das expressões revela
um princípio muito válido nas literaturas africanas quanto sabemos que elas
transportam uma mensagem com enorme carga social.

A incorporação do intertexto oral é feita principalmente pela
forma como o autor aborda o(s) assunto(o) da obra. Ele procura representar
literariamente o seu povo e o primeiro instrumento de textualização é a língua.
Nesta linha Salvato Trigo (s/d: 80), estudioso das literaturas africanas,
defende que “o importante é que o escritor busque uma forma artística, moldada
nos cadinhos estilísticos e ético do povo que ele procura representar
literariamente”.

Os traços
ideolectais e sociolectais plasmam uma mestiçagem do discurso gerada por uma
interferência de língua em que ao português se vem juntar o cabo-verdiano
(crioulo). O português misturado com o léxico cabo-verdiano serve de veículo ao
narrador e às personagens para transmitir tudo aquilo que faz parte das
tradições orais e que engloba a literatura oral. Tal hibridismo é mais
significativo a partir do momento em que a acção da narrativa estancia nos ambientes
tradicionais, usado fundamentalmente por personagens pertencentes ao grupo dos
mais velhos e dos iletrados.

Como observa Maria Lúcia Lepecki (1988) a primeira
construção narrativa à qual se vai sobreimprimir[3]
outra a fala
oral, presente e distanciada do texto que vamos lendo remete-nos para o saber
de pessoas comuns, gente do povo que contou os casos. As estórias enraízam-se
na história da comunidade e isso tem pelo menos uma consequência a nível da
metáfora: ela acaba por referir, sempre (ainda que por sugestão subtilizada
quase no máximo), a realidade concreta de Cabo
Verde
.

As estórias contadas pelo narrador, por Nho João e Djonga,
por exemplo, são significativas. O caso de Mari Bijome é também relevante no
que diz respeito ao dialogismo que se estabelece entre o português e o crioulo.

 

" Ele chamou-me, eu não queria cudir (...). Ele meteu-me
no meio de uns tarafes, deitou-me na areia e pegou em mim e depois começou a
dizer: bijome, bijome. Foi à força! Ele pegou em mim. (...) foi aquele demónio
daquele João Manco que deu-me eles. E eu trouxe eles para bocê." (p.61).

 

O narrador de A Ilha
Fantástica
não deixa de
atribuir a cada personagem a sua fala própria. Através da linguagem de cada uma
é possível diferenciar os mundos a que pertencem.

O processo discursivo instituído tem por modelo o contador
tradicional de estórias - o griot africano. Neste particular Salvato Trigo (op. Cit. p. 82) advoga que " quando falamos do
griotismo na literatura, estamos a significar um certo texto em que o seu autor
tenha conseguido transmitir para a escrita a polifonia e a gestualidade da
oratura."

Germano Almeida consegue com mestria instituir tal griotismo
já referido, uma vez que A Ilha
Fantástica
é uma narrativa tributária dessa técnica que as literaturas
africanas modernas usam e que consiste na construção do texto literário com
base no molde da literatura oral, ou seja, da oratura.

A sua obra
literária é o lugar teórico-prático onde a história, as tradições e valores, as
crenças/mitos se estruturam como cultura literária; participa na categoria dos
textos que fazem a síntese entre os textos anteriores, orais, e os textos
contemporâneos, escritos para instituírem uma escrita original. Assim, é que a
obra reescreve a história recuperando os eventos que se referem aos famosos
naufrágios; as tradições e valores nas festas de casamentos e práticas de ritos
iniciáticos; as matanças de porcos; os velórios etc. Crenças e mitos nos
rituais de guarda-cabeça; fantasmas como: canelinhas, gongons, pateados,
catchoronas, bruxas…

O aprisionamento
da oralidade na escrita, como considera o professor Alberto Carvalho (1995: 84)
ao referir-se a Chiquinho de Baltasar Lopes, “não tem por objectivo a sua
destruição, mas o seu resgate e a sua inclusão no processo cultural,
exactamente do mesmo modo que ele, sujeito-autor de escrita, possui uma alma de
menino feita de oralidade”.

 


 

BIBLIOGRAFIA

 

 

AGUIAR e SILVA, Vitor Manuel. Teoria da Literatura, 8ª Ed.
Coimbra, Livraria Almedina, 1997

ALMEIDA, Germano, A Ilha Fantástica, Mindelo, Ilhéu
Editora, Colecção “Estórias”, 1994.

CARVALHO, Alberto,
" O ‘abismo’ da (oralidade e da) Escrita em Chiquinho de Baltazar Lopes”, in
DISCURSO
n.º 9, Universidade Aberta, Fev. 1995.

LEITE, A. M., Oralidades e Escritas Nas Literaturas
Africanas
, S/l, Edições Colibri, 1998.

LEITE, Ana
Mafalda, A Poética de José Craveirinha,
Lisboa, Ed. Veja, Coleção Palavra Africana, 1991.

LIPECKI, Maria
Lúcia. Sobreimpressões, Estudos de
literatura Portuguesa e Africana
, Lisboa, Edições Caminho, 1988.

TRIGO, Salvato, Literatura Comparada,
Afro-Luso-Brasileira,
Lisboa, Ed. Veja. s/d.



[1]     Usa-se aqui o
conceito de oralidade com uma dimensão ampla, abrangendo o sentido de oratura e
tradições orais ou ainda de literatura oral.

[2]     Intertexto
é entendido como o texto ou o corpus de textos com os quais um determinado
texto mantém a relação de intertextualidade.

[3]    Sobreimprimir - usado na
acepção que tem em cinematografia

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por Mateus Monteiro às 18:14

METADE

Sábado, 12.03.11

                       

Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio

 

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

 

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

 

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

 

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

 

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

 

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

 

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

 

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

 

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

 

Oswaldo Viveiros Montenegro (Rio de Janeiro, 15 de março de 1956) é um músico brasileiro. Além de cantor, compõe trilhas sonoras para peças teatrais, balés, cinema e televisão e foi casado com a atriz Paloma Duarte. Tem uma das parcerias mais sólidas da MPB ao lado de Madalena Salles, que o acompanha com suas flautas.

 

Nascido no bairro do Grajaú, Oswaldo é um caso excepcional de precocidade musical. Sem nunca ter estudado música regularmente, começou desde a tenra infância a ser influenciado por ela. Primeiro, na casa de seus pais no Rio de Janeiro: sua mãe e os pais dela tocavam piano, seu pai tocava violão e cantava.

 

A segunda influência foi mais forte. Aos oito anos, mudou-se, com os pais, para São João del-Rei, cidade mineira poética e boêmia, onde as serestas aconteciam todas as noites e as pessoas juntavam os amigos em casa para passar as noites tocando e cantando. Ao mesmo tempo, Oswaldo foi atraído para a música barroca das igrejas. Nesta época, teve aulas de violão com um dos seresteiros da cidade e compôs sua primeira canção, Lenheiro, nome do rio que banha São João del-Rei. Venceu um festival de música com apenas 13 anos, no Rio de Janeiro, onde voltou a morar.

Continua em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Oswaldo_Montenegro

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AUTORIDADE SEM ARROGÂNCIA

Sexta-feira, 11.03.11
Gostaria de partilhar com os visitantes do GARÇOTE  os conselhos de Danielle Rodrigues, uma profissional da área da educação, sobre o assunto em epígrafo, a questão da autoridade.
 
Danielle Caroline Rodrigues

 

Muito bem professor, você precisa dar um feedback para sua equipe sobre algo não muito agradável. No entanto, isso se faz necessário e você é o responsável por essa tarefa. Nesse momento, você se pergunta: “Como devo agir?” A resposta é simples: com respeito e educação.
Para muitos, ter autoridade e poder de decisão é sinônimo de arrogância e até mesmo oportunidade de “pisar no pescoço” dos demais.

 

 

Um lamentável engano que pode ocasionar danos irreversíveis na harmonia da equipe e na sua ficha como colega de trabalho e líder.
Delegar tarefas, impor regras, cobrar resultados, entre outras coisas, são atitudes que podem – e devem – ser tomadas com naturalidade, firmeza e de “igual para igual”.
Somente dessa forma você terá, além da compreensão da equipe, o respeito e a credibilidade necessários para continuar a realizar as tarefas que são de sua obrigação sem ter de lidar com “boicotes”, má-vontade e desmotivação.
Lembre-se constantemente: nunca faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você!

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por Mateus Monteiro às 17:52

PRESIDENTE DA CÂMARA DA RIBEIRA BRAVA, AMÉRICO NASCIMENTO, OFERECE IMAC G3 À ESCOLA SECUNDÁRIA BALTAZAR LOPES E EXIGE “PARCERIA BIUNÍVOCA”

Segunda-feira, 07.03.11

iMac G3

foi uma linha de computadores pessoais fabricada pela Apple no final da década de 90, precisamente entre 1998 e 2001.

A extinção aconteceu no início de 2003, com o lançamento do eMac, que substituiu o iMac G4 no mercado de educação.

 

Uma senhora atormentada com o seu computador avariado e sem dinheiro para comprar um novo computador, pede ajuda:"Passeando pelo ML deparei-me com um iMac, G3 ainda, mas parece estar muito bem conservado e acho que ele é de 2002. Alguém me sabe dizer as especificações desse iMac?". Frede Lima responde-lhe: "Já ralei num G3, isso em 2005. Até para a época, já achava-o meio fraco...imagina agora!"

Os alunos fazem chacota dos oito iMac oferecidos pelo edil Américo Nascimento para “melhorar o parque informático” da referida escola, segundo as palavras do Director Amílcar Barreto.

Realmente, este modelo de computador vem com várias cores para escolher (o que na época (1998) encantou as crianças, que viam-no como um brinquedo e um computador), compacto (junta periféricos num único monitor de 15 polegadas) e roda o sistema operacional Mac OS 8.

Depois da entrega e durante o encontro do autarca com os professores e a direcção, o benfeitor exigiu da escola agraciada uma “parceria biunívoca”, pois, não quer ser procurado e achado apenas nos momentos em que a Escola Secundária Dr. Baltazar Lopes surge com "chapéu na mão".

O principal assunto do encontro com os professores esteve associado à questão de uma suposta REQUALIFICAÇÃO do edifício que alberga o ensino secundário na Ribeira Brava. Apesar da edilidade não ter competência nessa matéria, o presidente arrogou esse poder e quis ver os professores e a direcção com o chapéu na mão implorando uma escola à medida de cada um dos presentes. Todavia é de enaltecer a iniciativa de se reunir com o pessoal docente para se falar, pela primeira vez, sobre aquilo que é uma ASPIRAÇÃO de todos os sanicolaenses: UMA ESCOLA MODERNA, PROJECTADA COM UMA VISÃO DE FUTURO QUE POSSA PREENCHER OS ANSEIOS DA JUVENTUDE DE SÃO NICOLAU E DAS COMUNIDADES DA ILHA.

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por Mateus Monteiro às 21:24

PÃO & FONEMA do ESCRITOR CABO-VERDIANO CURSINO FORTES

Quinta-feira, 24.02.11

PÃO & FONEMA

 

É

 o primeiro livro de Corsino Fortes publicado em 1973 e que mais tarde foi integrado na trilogia "A Cabeça Calva de Deus", editada por Publicações D. Quixote, 2001, que incorpora também "Árvore & Tambor" e "Pedras de Sol & Substância", procura, emblemática e teluricamente, expressar esta luta titânica de afirmação do homem cabo-verdiano, entre a secura do céu e a cabeça calva da ilha.

A geração da Claridade lançou os alicerces da nova poesia que depois é continuada pelos escritores pelos escritores que colaboram em outras duas publicações, a Certeza (1944) e o Suplemento Cultural (1958). A geração da Claridade influenciou, e continua a influenciar, grande parte da produção poética e ficcionista de Cabo Verde.

O salto qualitativo e a ruptura com a influência dos claridosos devem-se a dois escritores que chegaram a participar na revista Claridade. Estou a referir-me a João Varela (aliás João Vário, ou Timótio Tio Tiofe) que publicou em 1975, O primeiro livro de Notcha, e Corsino Fortes, autor de dois importantes trabalhos poéticos, Pão & Fonema (1975) e Árvore & Tambor (1985). É sobretudo Corsino Fortes que provoca o maior desvio de conteúdo temático e formal. O livro Pão & Fonema deixa perceber a intenção do autor em reescrever a história do povo em termos de epopeia. O livro abre com uma Proposição que constitui, por si só, uma demarcação da poesia de tipo estático dos claridosos. Repare-se na primeira estrofe:

Ano a ano
           crânio a crânio
Rostos contornam

           o olho da ilha
com poços de pedra
           abertos
           no olho da cabra

Esta cadência ritmada do esforço humano marca o compasso da epopeia que se pretende escrever, intenção que o autor condensa na epígrafe da autoria de Pablo Neruda: Aqui nadie se queda inmóvel./Mi pueblo es movimiento ./mi pátria es um camino. O poema desenrola-se depois em dois cantos que justificam o título.

Este livro de Corsino Fortes é, quanto a mim, o desenvolvimento e expansão de uma metáfora que se inicia com o título. O povo tomou conta da sua terra (o Pão) e do seu destino (a fala que dá nome às coisas, que indica posse). A utilização do crioulo em muitos poemas é intencional, uma vez que fala, anterior à escrita, é o grande sinal da liberdade que se tornou património, tal como a terra. Daqui o subtítulo do canto primeiro - Tchon de Pove, Tchon de Pedra; Daqui também os subtítulos de outros dois cantos - Mar & Matrimónio e Pão & Matrimónio.

É evidente que toda problemática de raiz cabo-verdiana está presente na obra de Corsino Fortes. A nova poesia é uma expressão artística cuja formulação sugere, reflecte e intervém na dinâmica do real. Este autor, para além de criar uma nova dinâmica de ralações entre o sujeito e o objecto poético, coloca toda a problemática cabo-verdiana num contexto muito mais vasto que é o da África. Cabo Verde, com sua especificidade, que é o isolamento de arquipélago, participa na viagem de construção da África de rosto e corpo renovado:

Dos seios da ilha ao corpo da África
O mar é ventre E umbigo maduro
E o arquipélago cresce

 

Caminhando pelos passos do Prof. Dr. Mesquitela Lima, no seu estudo analítico sobre "Pão & Fonema", ele interroga-se sobre a razão do título e esclarece:

"(…) Porquê Pão? Compreende-se perfeitamente a razão do emprego de tal termo. Um dos grandes dramas de Cabo Verde são as secas, crises cíclicas que emolduram a forma de pensamento do homem cabo-verdiano e que o predispõem, pode dizer-se, a um certo fatalismo em relação ao pão do dia-a-dia. Devido a todo um conjunto de factores de ordem geográfica, as chuvas são erráticas e, devido a outro conjunto de ordem cultural, o homem cabo-verdiano está de tal maneira vinculado à terra - é um agricultor "teimoso" - que mesmo sabendo que não vai chover lança o milho nos campos, na esperança de uma magra colheita. Determinismo ou fatalismo dramático que gira em círculo e que se traduz no binómio milho-chuva que o poeta simboliza ou funde num só termo - pão - e que, ao fim e ao cabo, corresponde à relação binária acima citada: da cópula - milho-chuva - há pão, da não cópula, há fome. Por consequência, no poema, o termo pão conota não só o pão para a boca, a comida do dia-a-dia, a necessidade primária, mas também a fome a que os Cabo-verdianos se vão habituando, qual fantasma ciclópico ou espada de Dâmocles balançando permanentemente sobre a cabeça do povo, no chão de pedra, mas chão do povo.

Quanto ao emprego do termo fonema, a escolha não podia ser mais acertada. Fonema, em linguística, é o elemento irredutível de qualquer sistema fonético. Linguisticamente falando, fonema não tem muita importância, pois frase é que é fundamental para a denominada compreensão, para a significação. Então porquê fonema e não frase? Fonema, como elemento linguístico, é independente, não implica subordinações ou hierarquias; frase é sempre sujeita a um discurso, com uma estrutura interna que desenvolve normalmente reacções e movimentos. Em Fortes, porém, fonema ultrapassa o elemento sonoro da linguagem, considerado do ponto de vista de uma fisiologia ou de uma acústica. No poema, fonema vem do fundo das goelas, das entranhas da alma, como um grito, como um lamento uníssono de um povo que faz parte integrante há quatrocentos anos e que procura a liberdade e PÃO a que tem direito. Fonema é, no poema, sinal de afirmação de si próprio, como povo, como cultura, como dignidade, como projecção no mundo. Para o povo, fonema é o seu grito de independência, de liberdade, liberdade essencial que vem do não consciente, do não pensado, do não racionalizado, traduzindo ao mesmo tempo um estado de espírito e uma natureza peculiar".

Também no seu estudo interpretativo sobre "Pão & Fonema", a Dr.ª Fátima Fernandes, leitora de Português do Instituto Camões em Cabo Verde, acresce o seguinte:

"(…) E, uma vez que estamos no campo dos símbolos, permitam-nos apresentar um dado curioso - a obra é composta de três partes 1…) Da simbologia dos números, estes levam-nos a atribuir um significado especial à sua presença na obra e a uma compreensão global da mesma. Efectivamente, na palavra pão encontramos três fonemas: 'p', 'ã' e 'o'. Três é universalmente tomado como um número fundamental. O dicionário dos símbolos regista que este número sagrado 'exprime uma ordem intelectual e espiritual, em Deus, no cosmos ou no homem. Ele sintetiza a tri-unidade do ser vivo ou resulta da conjugação de 1 e 2, produto, nesse caso, da União do Céu e da Terra' (…) Três é a expressão da totalidade, da conclusão: nada lhe pode ser acrescentado. É o acabamento da manifestação: o homem, filho do Céu e da Terra, completa a Grande Tríade, e nada mais ajustado ao contexto em que nos apresentamos (…)"

"(…) "Pão & Fonema" é ainda o grito de liberdade de ser substância, palavra e voz. Saciada a fome, o povo canta ao ritmo dos tambores, que na sua plenitude remetem para a tradição africana, e para o momento em que se impôs uma nova linguagem de identidade com África, ao ritmo de festa e de alegria de que só a solidariedade entre os povos é testemunha. É uma das mais antigas formas de comunicação para valorizar e perpetuar a cultura africana e universal. A Árvore, que representa a vida e a natureza, tão adversa à sorte do povo cabo-verdiano, encontra no Tambor a sua metade, também vida, dinamismo, sustentáculo de toda uma cosmogonia (…)"

Para terminar, transcrevemos um poema do livro, que procura traduzir ou surpreender o homem, já liberto e responsável, consciente que no universo globalizante do pão, ele não é só gregário, como também actor e autor do seu próprio destino:

Não há fonte que não beba da fronte deste homem.

                       I

Nas rugas deste homem

Circulam

estradas de todos os pés que emigram

Nas rugas deste homem

 

Quebram-se

vivas! as ondas de todas pátrias

Anulam-se

de perfil! as chinas de todas muralhas

 

Na mão bíblica

No humor bíblico deste homem

crepitam de joelhos

 

Desertos & catedrais

Onde

deus & demónio

jogam

                   noite e dia

             a sua última cartada

E do pó da ilha à mó de pedra

Não há relâmpago

Que não morda a nudez deste homem

Nudez de liberta!

Que a dor germina

E o espaço exulta

E pela ogiva

ogiva do olho

Não há poente

Que não seja

Uma oração de sapiência

 

Sobre a face deste homem

o povo ergueu a praça pública

E os tambores transportam

o rosto deste homem

Até à boca das ribeiras

E ao redor

os vulcões respeitam

o silêncio deste homem

 

                       I I

Não há chuva

Que não lamba o osso de tal homem

À porta da ilha

Diz o sal de toda a saliva

O sol ondula oceanos no sangue deste homem

 

Oh cereal altivo! vertical & probo

Ainda ontem

antes do meio-dia

O vento punha velas na viola deste homem

Hoje!

A viola

De tal dor é sumarenta

E projecta

sobre as almas

a seiva

De uma árvore imensa

Oh oceanos! que ladram à boca das tabernas

Se o sangue deste homem

é tambor no coração da ilha

O coração deste homem

é corda no violão do mundo

E os joelhos

rodas que vão! hélices que sobem

com ilhas no interior

 

                       I I I

Sombras sobre a colina Rosto sobre o povoado

Quando

pastor & gado jogam à cabra-cega

E chifres de sol

       projectam

cidadelas no ocidente

O poente galopa a maré-alta

       E ergue

"À taça da noite

Sobre as têmporas deste homem"

 

Oh noite verde! oh noite violada

Que a noite não apague

A memória das cicatrizes

E cicatrizes de ontem

       Sejam

Sementes de hoje

Para sementeira E floresta de amanhã

 

Como Noé

As espécies conhecem

A sílaba E a substância deste homem

Não há milho

Que não ame o umbigo deste homem

Não há raiz

Que não rasgue a carne deste homem

 

E na fome pública deste homem

Cresce

a ave no voo E a gema na casca

Cresce

o cabo d'enxada E a cintura da terra

Cresce

a porta do sol E o alfabeto da pedra verde

Não há fonte

Que não beba da fronte de tal homem

Que

A erecção deste homem é redonda

E tem o peso da terra grávida

 

© Fontes:

  • COSTA, José Francisco, Poesia africana de língua portuguesa, disponível em: www.cronopios.com.br
  • FORTES, Corsino, Presentation at Bread Matters - Lisboa, Portugal, disponível em: www.breadmatters.org/BM/index, acessado em 12-01-2011

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por Mateus Monteiro às 16:08


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